(Este foi primeiramente publicado no Boletim Lucas Mafaldo)
O posicionamento de Ron Paul em relação à guerra do Iraque merece um esclarecimento especial – não apenas porque esta é uma das questões mais polêmicas da campanha, mas principalmente porque há uma grande probabilidade dela ser mal compreendida pelo grande público brasileiro.
Ron Paul, como a maioria dos jornalistas brasileiros, é contra a guerra do Iraque; no entanto, os seus motivos são muito diferentes dos motivos dos nossos jornalistas. Embora ambos sejamos contrários à guerra, os motivos dos dois lados são enormemente diferentes. E, como os brasileiros conhecem apenas um lado da história, acredito que existe uma boa chance de a posição de Paul seja confundida com a posição da mídia nacional.
Este artigo foi escrito justamente para evitar estas confusões e esclarecer quais são realmente os argumentos de Ron Paul contra a guerra.
Este artigo está dividido do seguinte modo: a primeira parte tem como objetivo diferenciar Ron Paul dos outros críticos da guerra; enquanto o restante trata dos verdadeiros argumentos de Paul contra a guerra.
Estes argumentos são os seguintes:
- Paul defende uma política externa não-intervencionista
- Uma intervenção militar não pode criar uma democracia
- Esta guerra não foi autorizada de maneira constitucional
- Esta estratégia trará conseqüências contrárias aos interesses americanos (blowback)
- A guerra está prejudicando seriamente a economia
- A guerra pode ser utilizada como desculpa para limitar os direitos dos indivíduos
1) O diferencial de Paul: contra a guerra, mas não contra os Estados Unidos
Comecemos pelo começo: Ron Paul é contra a guerra do Iraque; foi contra desde o início e é a favor de que as tropas sejam retiradas de lá o quanto antes. Esta também é uma posição majoritária entre a esquerda – mas Ron Paul certamente não é um esquerdista. Por isso, é importante esclarecer as diferenças entre ambos os lados.
Desde o seu início, a guerra do Iraque foi utilizada pelos esquerdistas como mais um item de sua campanha anti-americana. Esta campanha, no Brasil, foi especialmente bem sucedida, pois já existe entre nós um sentimento generalizado de ódio aos Estados Unidos – e a guerra do Iraque se tornou um componente muito importante desta campanha, pois ela simbolizaria a suposta “essência” do americanismo: militarismo, imperialismo e exploração.
Os esquerdistas mais afoitos – e desprovidos de senso de proporção – procuraram difundir a idéia de uma suposta “equivalência moral” entre os dois regimes – quando não afirmar, descaradamente, que Bush seria um sujeito “menos democrático” que Saddam. Este tipo de raciocínio, evidentemente, é totalmente absurdo, mas ainda assim parece que conseguiu conquistar grande parte dos brasileiros.
Por causa da onipresença da retórica esquerdista contra a guerra, o público naturalmente passou a identificar imediatamente a oposição à guerra com anti-americanismo; como se para se opor à guerra fosse necessário se opor também a tudo que os Estados Unidos representam.
No entanto, é possível ser contra a guerra e ao mesmo tempo defender os valores americanos; e esta é justamente a posição de Ron Paul, que acredita na liberdade individual, no regime de livre-mercado, na propriedade privada, em valores morais, na importância da família e da religião, e todos os demais valores que são caros ao conservadorismo americano – e mesmo assim se posiciona contra a guerra do Iraque.
Portanto, é preciso esclarecer que nem a guerra do Iraque representa a essência do projeto americano, nem ser contra a guerra significa ser contra os valores que formaram a nação americana – pois esta é exatamente a questão que corre grande risco de ser mal interpretada pela mídia brasileira.
Mas isto obviamente nos deixa com um problema: se Ron Paul é um autêntico patriota, quais são os motivos que o levaram a se opor à guerra? Bom, este é o objetivo do restante deste artigo, que analisará, um por um, cada um dos argumentos que Ron Paul tem utilizado nas discussões públicas.
2) Por uma política externa não-intervencionista
Um dos principais motivos da oposição de Ron Paul à guerra do Iraque é que ele sempre foi um defensor de uma política externa não-intervencionista; ou seja, ele acha que um país não deve se envolver nas questões internas dos outros países. Ron Paul, portanto, não apenas está se posicionando contra esta guerra em particular, mas ele quer mudar toda a direção da política externa americana.
De acordo com este princípio – que Ron Paul afirma se tratar da posição original dos Pais Fundadores e da antiga direita – os Estados Unidos deveriam evitar confrontos internacionais e intervir militarmente apenas quando sua própria segurança estivesse ameaçada. Ron Paul, aliás, defendia este princípio até mesmo durante os últimos anos da Guerra Fria, como vocês podem ver neste vídeo.
http://www.youtube.com/watch?v=80qaKEEQSLM
Isto não significa que Ron Paul ache que o modelo americano seja igual ou pior que os outros; pelo contrário: ele é um dos primeiros a defender as conquistas do seu país, sempre afirmando que a sociedade americana permitiu que seus cidadãos vivessem com uma quantidade inédita de liberdade e, exatamente por isso, alcançasse um nível também inédito de prosperidade. Ao contrário da esquerda americana, portanto, ele acredita no modelo americano, e acredita que os outros países se beneficiariam muito da adoção de um modelo semelhante. No entanto, ele não acredita que seja o papel do governo americano expandir este modelo pelo mundo. Se outros países quiserem mudar seus regimes, eles o farão por conta própria e não pela imposição de um Estado estrangeiro.
A oposição de Ron Paul à guerra do Iraque, portanto, se baseia em uma política externa que tem implicações muito mais amplas que apenas em relação a esta guerra em particular.
3) Força militar não gera democracia: a impossibilidade da criação artificial de novas ordens sociais
Tornam-se mais claras as diferenças entre Ron Paul e a esquerda anti-guerra, quando observamos que o não-intervencionismo se justifica por argumentos tipicamente conservadores, enquanto o intervencionismo trás claramente traços de uma ideologia esquerdista.
A idéia de que é possível transformar uma ditadura em uma democracia apenas através da remoção física do tirano se baseia no pressuposto de que os sistemas políticos existem por si mesmo e podem ser “implantados” segundo o desejo dos reformadores. Ora, embora este pressuposto esteja na base das últimas políticas do Partido Republicano, esta idéia é totalmente alheia ao pensamento conservador tradicional, que tende a observar os sistemas políticos mais como efeitos de uma determinada cultura do que como causas dela. Ou seja, os conservadores tendem a pensar que antes de existir um governo estável é preciso que já exista uma sociedade onde impere a cooperação e a confiança entre os seus indivíduos. Caso não existe esta cultura de cooperação e confiança, não é o governo que conseguirá criá-la através da força militar.
Por isso, é próprio dos conservadores usarem de muita prudência em suas intervenções sociais, pois eles sabem que não existe a “Sociedade”, mas sim, um conglomerado de indivíduos, cada qual com seus valores, idéias e projetos pessoais – e cada um deles muito pouco disposto a abrir mão de suas particularidades apenas por causa das exigências de algum burocrata. Enquanto isso, os esquerdistas tendem a confiar muito mais na sua capacidade de transformar a sociedade através de projetos reformistas e por isso tendem a achar que a ação política é a melhor maneira de melhorar a sociedade.
A idéia de espalhar a democracia através de intervenções militares, portanto, é estritamente anti-conservadora, pois um verdadeiro conservador saberia que cada ordem social possui profundas raízes na cultura de um povo, e não poderia ser facilmente alterada através de uma influência externa – muito menos se a influência externa é a força militar, que tende apenas a desorganizar as instituições vigentes, sem provocar mudanças no campo dos valores e das idéias.
Portanto, além de considerar que não é o papel do governo espalhar os valores americanos pelo mundo, Ron Paul tem alertado que, mesmo se o objetivo do governo fosse este, seria simplesmente impossível alcançá-lo através do uso da força militar. Ou seja: além deste não ser o papel do governo (pois ele deveria ser não-intervencionista), mesmo se fosse intervir, ele não alcançaria este objetivo através de uma invasão militar.
Por isso, Ron Paul defende que o único papel que o governo americano deve ter em relação às questões internas dos outros países é “dar um bom exemplo”. Ou seja, o governo americano deve mostrar ao mundo os benefícios de uma sociedade livre, sem se envolver diretamente nas decisões dos outros países em imitarem ou não o modelo americano.
4) A constituição e a guerra
Os dois argumentos anteriores são mais gerais, pois servem para criticar qualquer iniciativa intervencionista, mas Ron Paul também tem argumentos contra esta guerra em particular. Um dos mais importantes argumentos – e curiosamente pouco comentado pela grande mídia – é que a declaração de guerra não seguiu os devidos caminhos formais estabelecidos pela Constituição.
A Constituição Americana - muito sabiamente a meu ver - estabelece claramente uma distinção entre as responsabilidades do legislativo e do executivo em casos de guerra: cabe ao congresso decidir se haverá ou não uma declaração de guerra e, caso a decisão seja positiva, cabe ao executivo decidir como a guerra será travada.
A justificativa para esta divisão de poderes é a seguinte: deixando apenas o congresso com o poder de declarar uma guerra, os fundadores esperavam que nenhuma guerra fosse declarada por capricho, sem a devida consideração de que ela, de fato, representa os interesses do povo americano. Deste modo, os fundadores esperavam, por um lado, evitar que uma única pessoa – o presidente – pudesse concentrar poder demais em suas mãos; assim como também pretendiam entrar em guerra apenas quando o povo estivesse realmente unido em torno do mesmo objetivo, para que as divisões internas não enfraquecessem o país durante a luta contra o inimigo.
No entanto, uma vez feita a declaração oficial, o manejo da guerra ficaria exclusivamente nas mãos do presidente. A concentração das decisões táticas nas mãos de uma única pessoa é necessária porque todos os passos da guerra precisam estar de acordo com uma estratégia coerente de longo prazo. Essa coerência só pode ser alcançada se houver apenas um núcleo fazendo os planos e articulando as ações necessárias, enquanto o restante do exército segue as ordens dos seus superiores. Por isso, o congresso precisa confiar o manejo da guerra exclusivamente ao presidente; pois o próprio congresso, com suas centenas de palpiteiros, não teriam a agilidade e a coerência necessária para elaborar uma estratégia de longo prazo.
Os fundadores, portanto, entendiam que havia dois tipos de decisões: a decisão política (entrar ou não na guerra) e as decisões estratégicas (como a guerra deve ser conduzida). Como as decisões políticas precisam ser feitas com muita ponderação e respeito pela vontade popular, elas ficavam sob a responsabilidade do congresso; como as decisões estratégias precisavam de rapidez e coerência (e, muitas vezes, de discrição), elas ficavam sob a responsabilidade exclusiva do presidente e do seu comando militar.
O plano inicial dos fundadores, no entanto, foi desrespeitado inúmeras vezes ao longo das últimas décadas, e foi isto que aconteceu mais uma vez em relação à guerra do Iraque. Não houve uma declaração formal de guerra, apenas uma “autorização para o presidente usar força militar”. Com esta definição vaga, o congresso abriu mão de sua responsabilidade e deixou a decisão política exclusivamente nas mãos de Bush. Ron Paul se posicionou contra este medida desde o início, com um texto eloquentemente intitulado “violando a constituição com uma guerra ilegal”.
http://www.lewrockwell.com/paul/paul57.html
A sabedoria dos fundadores provavelmente teria evitado a confusão que se seguiu: quando a guerra se mostrou mais complicada do que o esperado, grande parte do congresso, da oposição e do público se voltou contra o presidente, acusando-o de tomar a decisão errada. A ausência da declaração inicial certamente contribuiu para esta divisão política que se seguiu: como os políticos e o povo não precisaram se comprometer devidamente antes do início da guerra, utilizaram isso como livre-conduto para deixar todo o problema nas mãos de Bush. Ora, mas a questão não é se Bush tomou a decisão errada ou não, a questão é que a decisão simplesmente não era dele e sim do congresso, que foi quem preferiu fugir de sua responsabilidade.
Desde então, a oposição parlamentar tem, oportunistamente, procurado interferir na condução da guerra, ao estabelecer prazos e objetivos, assumindo um poder que, este sim, deveria estar exclusivamente nas mãos do presidente. Ou seja, eles primeiramente abriram mão de suas devidas responsabilidades, e agora estão procurando utilizar um poder que lhes é indevido.
A guerra do Iraque, portanto, desde o seu início até a sua condução, tem se caracterizado por ultrapassar os limites constitucionais – e certamente parte dos problemas que os americanos estão enfrentando se deve ao fato de terem se afastado das lições dos fundadores.
Embora a defesa da Constituição devesse estar no programa de todos os partidos e candidatos, Ron Paul é um dos únicos candidatos que tem dedicados todos os seus esforços a fazer com que o governo retorne aos seus limites constitucionais – e o seu respeito pela Constituição é um dos principais motivos pelos quais ele rejeita a guerra do Iraque.
5) O argumento estratégico
Embora possua todos estes argumentos contra a guerra do Iraque, Ron Paul atraiu mais publicidade quanto enunciou os motivos estratégicos pelos quais se opõe a ela. Neste ponto, ele se baseia fortemente na teoria do “blowback”. Este teoria afirma que intervenções políticas ou militares podem ter o efeito contrário do esperado. Derrubar um regime anti-americano de determinado país, por exemplo, pode servir para aumentar ainda mais o já existe ódio contra os Estados Unidos e levar ao poder um grupo ainda mais radical e perigoso.
Alguns estudiosos do Oriente Médio – e, entre os citados por Paul, se destaca Michael Scheuer, ex-agente da CIA – afirmam que isto é precisamente o que está acontecendo na região. Com base nestes estudos, Paul tem afirmado que uma das principais causas do ódio dos radicais islâmicos pelos Estados Unidos são as intervenções americanas nestes países, sejam as invenções diretas (invasões militares ou acordos políticos com alguns governos locais) ou intervenções indiretas (apoio financeiro ou estratégico a grupos que queiram mudar o regime local). E, além disto, ele também afirma que enquanto os Estados Unidos continuarem intervindo na região, o anti-americanismo continuará a crescer.
Estas afirmações de Paul soaram muito polêmicas aos ouvidos de parte da direita americana, pois os argumentos mais respeitados entre alguns grupos são de que os principais fatores motivacionais para estes ataques são as diferenças culturais, religiosas e ideológicas, e não simplesmente o ressentimento por intervenções políticas e militares do passado.
Ron Paul tem concedido que existem também outros fatores que motivam estes radicais, mas ele permaneceu firme em suas afirmações de que a presença americana na região é uma das principais causas do anti-americanismo que só será revertida quando os Estados Unidos retirarem suas tropas do Iraque e dos países vizinhos e pararem de se envolver com os conflitos da região.
Infelizmente, a insistência de Paul neste argumento parece ter alienado parte da base conservadora, como se pode ver neste texto:
http://www.worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=56177
Os conservadores que apóiam a guerra, e que são verdadeiros patriotas, estão extremamente irritados com a esquerda por suas posições anti-americanas. Acredito que, por isso, parte da base conservadora descarta imediatamente qualquer discurso contrário à guerra - mesmo que seja um discurso sensato e pró-americano, como o de Paul – só porque lhe soa parecido demais com os argumentos dos esquerdistas. Resta saber se, ao longo da campanha, haverá espaço para uma discussão mais realista do tema.
6) A guerra e a economia
É muito comum ouvir dos críticos esquerdistas que a intervenção americana foi causada por fortes “interesses econômicos”. Ron Paul também ocasionalmente fala contra estes interesses, mas este também é um caso onde, embora ambos estejam dizendo as mesmas coisas, existem nuances diferente nos dois discursos.
Primeiramente, é preciso esclarecer a relação entre guerra e economia. Existe um mito de que as guerras são fontes de riquezas para as economias mais desenvolvidas, mas isto não faz o menor sentido; na verdade, o resultado geral de uma guerra sempre é de empobrecimento de todos os lados envolvidos.
Para demonstrar porque isto ocorre, basta que reflitamos um pouco sobre o que é riqueza: ao falarmos em riqueza estamos basicamente nos referindo à quantidade de bens e serviços disponíveis a um povo ou a um indivíduo; ou seja, uma pessoa ou um país é tanto mais rico quanto mais bens e serviços têm a sua disposição.
E qual o efeito da guerra sobre os bens e serviços? Ora, a guerra os diminui consideravelmente, porque fábricas, capital e trabalhadores são utilizados para produzir os equipamentos necessários para a guerra ao invés de bens e serviços para o povo. Em seguida, ao longo da guerra, os equipamentos criados deste modo serão destruídos e os soldados serão mortos; ou seja, todo o investimento feito neles será simplesmente perdido. Além disto, ao longo da guerra serão destruídas muitas construções e infra-estrutura e muitos civis serão mortos; ou seja, riquezas já conquistadas serão destruídas.
Ou seja, primeiramente grande parte dos recursos de uma sociedade é desviada para a guerra; e, depois, estes recursos serão destruídos durante a guerra, enquanto causam ainda mais destruição ao lado adversário. Portanto, todos os lados perdem muito do que haviam acumulado anteriormente.
Toda guerra, portanto, implica em uma grade perda de vidas e em um grande desgaste social e econômico. O que pode acontecer em termos de ganho de riqueza, evidentemente, é que, no meio do empobrecimento geral, alguns indivíduos consigam aproveitar da confusão para acumular grandes lucros ao custo dos demais, seja roubando propriedade (ocupando recursos naturais ou roubando bens de outro povo) seja vendendo algo para um dos lados (equipamento militar, por exemplo).
Por isso, qualquer guerra é contra os interesses econômicos de um país; embora alguns indivíduos possam lucrar com ela, o país como um todo sairá muito prejudicado. E é isto que está acontecendo com a guerra do Iraque: o povo americano está pagando um preço muito grande por ela, tanto financeiramente quanto em termos da perda de vidas humanas.
Ron Paul acredita que a economia americana está cada dia mais fraca e que o grau de endividamento do governo está em níveis alarmantes. Ele acredita que se o governo não cortar drasticamente seus custos, os Estados Unidos podem se aproximar de uma crise financeira. E a melhor maneira de evitar isto é cortar os gastos militares que são largamente responsáveis pelos déficits governamentais.
7) A guerra e os direitos civis
Por fim, Ron Paul também sempre relembra o ditado “War is the health of the State” que, em uma tradução aproximada, significa que “a guerra é a fonte da saúde do Estado”. O que isto quer dizer que é guerra sempre oferece uma oportunidade para que se aumente o poder do governo central sobre os indivíduos.
Como as pessoas ficam naturalmente assustadas em um período de guerra, elas ficam mais dispostas a abrir mão de suas liberdades, caso ela sejam persuadidas que isto ajudará a sobrevivência de seu país. Durante uma guerra, o Estado sempre encontra mais facilidade em aumentar o seu controle sobre a economia e sobre as vidas privadas de seus cidadãos - independente deste maior controle estar ou não realmente ajudando no esforço de guerra. Além disto, depois que o Estado assume certos poderes, é difícil forçá-lo a voltar aos seus limites originais, mesmo quando a ameaça que provocou este crescimento já não existe mais.
Esta tendência do Estado crescer durante o período de guerra também se manifestou durante a guerra do Iraque. Com medidas como o “Patriot Act”, o governo federal criou novas restrições sobre a privacidade dos americanos.
Algumas pessoas argumentam que este tipo de restrição é necessário durante uma guerra, mas os defensores da preservação destes direitos civis contra-argumentam o seguinte: “guerra contra o terrorismo” é um termo vago demais, que não estabelece objetivos definidos e verificáveis; como não há uma boa definição de qual é o inimigo nem de qual objetivo de ser alcançado, este termo poder ser apenas uma desculpa para uma interminável restrição dos direitos dos cidadãos.
Ron Paul, seguindo a tradição dos libertários e dos conservadores, é contra um Estado grande – e, principalmente, contra um Estado que tenha o poder de quebrar a privacidade das pessoas e controlar o que elas estão fazendo. Por isso, ele é contra toda e qualquer tentativa de limitar os direitos dos indivíduos, mesmo em época de guerra – e, principalmente, durante uma guerra que não foi declarada da maneira apropriada como esta. Ele lamenta que as pessoas estejam tão assustadas ao ponto de aceitar estas limitações em seus direitos e, além de interromper a guerra, pretende restaurar estes direitos o quanto antes.
Conclusão
Ron Paul possui muitos e bons argumentos contra a guerra do Iraque. Ao contrário de muitos dos argumentos da esquerda – mais preocupada em denegrir a imagem dos Estados Unidos do que em propor um debate sério – os argumentos de Paul são muito bem pensados e se apóiam em uma defesa de liberdade que está inteiramente dentro dos valores americanos.
Esperemos que, ao longo da campanha, ele tenha a oportunidade de colocar estas questões em debate e que elas sejam discutidas com a seriedade que merecem.
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