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Introduzindo a questão do “sound money”

Sim, agora estão criando “Ron Paul Dollars”. São moedas - de ouro, prata ou bronze - personalizadas para a campanha de Ron Paul.

Mais do que ser apenas uma estratégia interessante, esta notícia exemplifica duas características importantes desta campanha.

A primeira é que esta é mais um tipo de ativismo espontâneo: todo o processo, desde à concepção  até à execução, foi feito independente da equipe de Ron Paul. É exatamente isto que é “grassroots campaign”, uma campanha feita pelo próprio povo e não dirigida pelo comitê do candidato.

Além disto, ela já é uma aplicação prática de “sound money”, uma das expressões mais comuns na campanha de Ron Paul; tão comum, aliás, quanto o seu contrário: “fiat money”. O que significam estes termos? Eles estão no centro das propostas de Ron Paul, mas não temos termos equivalentes em português que sejam tão breves e conhecidos pelo grande público. Iremos nos aprofundar nestes conceitos no nosso boletim, mas, por enquanto, vamos fazer uma breve introdução ao tema.

“Fiat money” é o dinheiro criado pelo Banco Central. Pouca gente sabe, mas o Banco Central pode simplesmente imprimir dinheiro. Quando você aumenta a quantidade de dinheiro no mercado, por efeito das leis de oferta e demanda, o valor relativo de cada nota individual começa a cair. Esta é uma das principais causas da inflação. Quando este tipo de inflação acontece não é exatamente que os produtos estejam ficando mais caros: é que o próprio dinheiro está valendo menos.

Ron Paul quer acabar com a capacidade do governo gerar inflação e é isto que significa sua política de “sound money”. Este termo, no sentido mais amplo, pode significar simplesmente uma política de câmbio responsável, evitando que surtos inflacionários, mas, em um sentido mais específico, quer dizer voltar ao padrão-ouro.

É fácil ver porque o padrão-ouro acabaria com este tipo de inflação: a quantidade de ouro no mundo não muda significativamente. Como a oferta está relativamente estável, o valor do ouro irá variar apenas de acordo com a demanda e não de acordo com as decisões dos burocratas do Banco Central.

Mas “sound money” não quer dizer apenas o retorno ao padrão-ouro: trata-se de voltar a considerar como moeda tudo que tenha um valor intrínseco, e não cujo valor seja instituído apenas pela coerção do Estado. Ou seja, prata e bronze também entram nesta equação.

Embora Ron Paul seja o único candidato com essa proposta, esta idéia tem sido defendida por inúmeras organizações. Uma delas é a que fez estas moedas para sua campanha.

Devido à importância desse tema, voltaremos a tratar dele em outros post e em artigos no nosso Boletim. No entanto, já existe uma boa introdução sobre o tema em português, escrita pelo Joel Pinheiro. Conheçam o excelente blog dele: Terra à vista - http://tavista.blogspot.com 

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Introdução

Há alguns meses tenho acompanhado com interesse crescente a campanha presidencial de Ron Paul. Não apenas suas idéias, mas a maneira clara, coerente e firme como as defende me deixaram impressionado.

Não foi apenas a mim que Ron Paul impressionou: embora tenha pouquíssimo dinheiro e nenhum apoio de grupos poderosos, ele tem conseguido chamar cada vez mais atenção nacional.

Ele ainda está muito longe da vitória: nos Estados Unidos existe uma eleição interna em cada partido antes de ser decidido quem concorrerá nas eleições principais. Ron Paul é um dos mais de dez republicanos brigando pela nomeação.

Embora esteja ganhando popularidade rapidamente, as pesquisas nacionais ainda o apontam com um percentual muito abaixo dos candidatos do “primeiro escalão”. No entanto, ainda é muito cedo para fazer previsões. A campanha de Ron Paul está crescendo, e não é impossível que ele consiga provocar uma grande surpresa.

A importância de Ron Paul, no entanto, não se resume à possibilidade de sua vitória política, mas também está na sua influência cultural. O crescente entusiasmo em torno dele pode significar uma mudança na base ideológica do partido que leve a uma mudança da configuração política nos próximos anos. Não seria uma novidade na história: já é um lugar comum afirmar que as sucessivas derrotas de Goldwater foram importantes para preparar a vitória cultural do conservadorismo que elegeria Reagan nos anos oitenta. Previsões nesse sentido, no entanto, são ainda mais imaturas que as previsões eleitorais.

Não restam dúvidas, no entanto, que Ron Paul já é um candidato interessante. Ao invés de recorrer a frases vazias e a auto-elogios, ele é um político que, de fato, acredita na discussão intelectual e no debate de idéias. Ao invés de lisonjear o povo com falsas promessas, ele defende sistematicamente suas propostas, sem adaptar seu discurso a cada platéia diferente que encontra.

O que vai acontecer nos próximos meses? Ninguém pode saber. Mas, de todo modo, acompanharei a campanha e usarei este blog para dividir com vocês o que me parecer mais interessante.

Até breve!

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